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Vacina pode evitar aborto de repetição

Perdas gestacionais freqüentes, com menos de 20 semanas de gestação, podem ser sinal de aborto de repetição, problema que atinge de 1% a 2% dos casais que querem ter filho no Brasil. Ao invés de proteger o bebê, o organismo da mulher expulsa naturalmente o feto, considerado um corpo estranho ao seu organismo.

Um problema raro, mas que pode atrapalhar o sonho de uma gravidez. O aborto de repetição ocorre quando a mulher consegue engravidar três ou até mais vezes, porém sempre perde o bebê antes de 20 semanas de gestação. Entre 1% e 2% dos casais brasileiros podem apresentar esse problema, que está sendo solucionado através da imunologia reprodutiva, técnica a ser discutida no I Encontro de Imunologia Reprodutiva da Meac/UFC.

O aborto é definido como a perda gestacional antes de 20 semanas de gravidez ou peso fetal menor que 500 gramas. Segundo o ginecologista e obstetra Marcelo Cavalcante, cerca de 15% de todas as gestações confirmadas evoluem para aborto espontâneo entre 4 e 20 semanas. Porém o aborto de repetição é registrado apenas quando a mulher apresenta perdas gestacionais seguidas, causadas principalmente por problemas imunológicos (mais de 60% dos casos), mas também por causas variadas como problemas genéticos, anatômicos e infecciosos.

Enquanto numa gravidez normal o feto é protegido pelo organismo feminino, em algumas mulheres o organismo não compreende a gravidez e passa a se defender do feto por considerá-lo um corpo estranho e que por isso deve ser eliminado. Segundo o médico Marcelo Cavalcante, o problema pode ser corrigido, em alguns casos, com técnicas simples como uso de corticóide ou drogas anticoagulantes.

Mas a novidade na área é o uso de uma vacina fabricada a partir dos linfócitos (glóbulos brancos presentes no sangue) do marido, no caso da não aceitação da gravidez ser devido as informações genéticas paternas presentes nas células do embrião. A vacina é produzida com o sangue e soro fisiológico e aplicada na gestante, para que ela passe a produzir anticorpos que irão proteger o bebê. ''Repetimos o teste para saber se a mulher realmente produziu os anticorpos, e só então ela é autorizada a engravidar'', explica Cavalcante.

A Imunologia da Reprodução é uma área nova da reprodução humana e estuda, principalmente, a resposta imune da mãe durante o período reprodutivo. Há um ano o programa está sendo desenvolvido em Fortaleza, ainda não é gratuito, mas os custos (varia entre R$ 2 mil e R$ 2,5 mil) são bem menores se comparado a técnica do bebê de proveta (cerca de R$ 10 mil). ''Pelo menos 40 mulheres já fizeram o tratamento com sucesso nesse primeiro ano'', comemora o médico Marcelo Cavalcante, responsável pelo programa em Fortaleza, e que atende casais das regiões Norte e Nordeste.
Para comemorar o aniversário do programa na Capital, será aberto hoje o I Encontro de Imunologia Reprodutiva da Meac/UFC, com a presença do professor doutor Ricardo Barini, que trouxe a técnica para o Brasil em 1993. Estatísticas mundiais apontam que 85% dos casais tratados conseguem superar o drama e enfim serem pais.

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